Como sair do vício das compras? Existem pessoas que não conseguem realizar grandes objetivos na vida e muitas são vítimas do péssimo hábito que temos de cultivar e até idolatrar os nossos vícios.

Para piorar a situação, existem grandes indústrias que faturam bilhões todos os anos explorando esses vícios. É possível até que você trabalhe para uma dessas indústrias. Elas estão executando estratégias, 24 horas por dia, para atrair novos viciados e convencer os atuais de que os seus vícios são virtudes elegantes e dignas de orgulho e ostentação.

Já vi pessoas dizendo, orgulhosamente, que são viciadas em sapatos, roupas, cosméticos, relógios, joias, óculos, perfume, carros, motos, etc. Na área alimentar, muitos enchem a boca para proclamar seus vícios em marcas caras (gourmet) de cervejas, chocolates, cafés, whisky, etc.

Existe uma linha muito tênue entre o gosto por bons produtos e o vício.

Quando você deixa de comprar por necessidade e passa a comprar para melhorar o seu estado emocional, isso pode ser o indício de um problema maior.  Não demora muito para que o pequeno prazer eventual se transforme em compulsão rotineira, em dependência e escravidão por determinados produtos e marcas.

Aqui temos um pensamento comum quando procuramos justificativas para comprar o que não precisamos: “Eu mereço, eu trabalhei muito, eu sofro tanto… mereço um presente.”

Não tenho nenhuma dúvida de que você merece ser presenteado. É saudável destinar uma parcela da sua renda para os gastos recreativos, que normalmente são baseados em supérfluos. Você pode entender o ato como um investimento para garantir o seu equilíbrio emocional. O problema é quando isso se torna muito rotineiro, quando vira regra, quando se torna o sentido da sua existência, quando começa a gerar problemas financeiros no presente e especialmente no futuro.

Talvez você esteja usando as compras como mecanismo de compensação de carências. Essa carência pode ser gerada quando você não consegue viver a vida que gostaria de viver.  As compras podem preencher vazios temporariamente.

O pior de tudo é que, muitas vezes, é esse dinheiro que você desperdiça comprando “prêmios de consolação” que vai fazer falta para realizar um objetivo grande lá na frente. Talvez seja esse objetivo grande que vai resolver o seu problema de uma forma definitiva.

É claro que nem sempre o dinheiro é fundamental para uma mudança de vida, mas com dinheiro você tem um leque maior de possibilidades e mais segurança para fazer o que precisa ser feito.

A dificuldade de lidar com decepções, a dificuldade de satisfazer determinados desejos ou de atingir objetivos, levam muitos a buscarem esses pequenos “prêmios de consolação” que minam qualquer possibilidade de acumular os recursos necessários para atingir objetivos importantes de grande impacto na sua vida.

Quanto você tenta reduzir os prêmios de consolação pensando em algo maior vem aquela frase pronta na sua mente: “Mas o que importa é ser feliz, e, se é isso que me traz felicidade… é isso que vou fazer.”

A grande questão é saber se realmente você quer passar a vida inteira colecionando pequenos prêmios de consolação.

Recentemente escrevi um artigo no Clube dos Poupadores sobre os “piores erros financeiros depois dos 30” e falei que “Se você acredita que é importante ter um carro caro para poder ser uma pessoa bem vista e respeitada, é mais barato procurar a ajuda de um psicólogo”.

Isso não vale apenas para o vício do carro novo. Muitos utilizam o shopping ou as lojas online como remédios paliativos para problemas que precisam de ajuda profissional. São pessoa que buscam alívio de curto prazo para problemas de longo prazo. Passam a vida jogando dinheiro pela janela e trabalhando como loucas sem resolverem a origem do problema.

Existem empresas que vivem desses vícios e bombardeiam a sua cabeça com todo tipo de estimulo que reforça a ideia de que o seu sofrimento será atenuado com a compra de um novo item que ela produz e comercializa.

Vivemos em uma sociedade estranha onde os grandes gênios da humanidade estão neste momento trabalhando em grandes empresas de marketing e de entretenimento. Eles estudam as melhores formas de fazer você entregar o seu dinheiro ou o seu tempo, por livre e espontânea vontade, para as empresas onde trabalham. Os apelos para o consumo compulsivo e distrações infrutíferas estão por todas as partes.

Recentemente o cientista Stephen Hawking, visto como um dos maiores gênios vivos da atualidade, disse em um evento: “Estou convencido de que precisamos deixar a Terra”.  O motivo, segundo ele: “Nos espalharmos talvez seja a única coisa que nos salve de nós mesmos” (fonte). Ele acredita que é fundamental dar para dar à humanidade uma nova “sensação de propósito” (fonte).

Certamente essa sensação propósito anda meio perdida nos shoppings, nas redes sociais, na vida cotidiana para conseguir pagar as parcelas do cartão da loja de roupas, pois se isso não for feito com urgência ficará difícil aproveitar as novidades da moda da próxima estação.

Ele diz: “Tenho esperanças de que isso uniria países que competem entre si em torno de uma única meta, para enfrentar o desafio comum a todos nós. Um novo e ambicioso programa espacial serviria para engajar os mais novos e estimular o interesse deles em outras áreas, como astrofísica e cosmologia.”

Parece que a união dos povos depende de um comportamento tribal de sobrevivência. Precisamos de um inimigo comum para que ele nos una em torno de uma sensação de propósito. Se a humanidade depende dos mais jovens estudando ciências, astrofísica, cosmologia para salvar a humanidade dela mesma, estamos perdidos. Os mais jovens mais talentosos do mundo, nesse exato momento, sonham com um emprego no Facebook ou em uma grande produtora de games. Escolhas individuais provocam problemas globais.

Segundo o cientista, a Terra está sob ameaça e só temos 100 anos para resolver o problema. Para ele, a solução é a fuga do planeta diante de questões de difícil solução como o aquecimento global e a diminuição dos recursos naturais. Tudo isso pode estar relacionado a ciclos naturais do planeta ou a uma interferência humana alimentada pelo consumismo bobo e vícios de consumo estimulados por aqueles que lucram com isso.

Compulsividade

É fácil observar que o vício que provoca compras constantes é mais comum em pessoas extremamente preocupadas com a opinião do outro. As compras acabam aliviando o sofrimento e postergando a busca de uma verdadeira solução.

As empresas sabem que existem pessoas assim. Elas entendem perfeitamente que existem multidões que sentem um desejo descontrolado de aprovação e aceitação.

Na próxima vez que você for até um shopping, observe a aparência das pessoas, especialmente aquelas mais jovens (adolescentes) que ainda não atingiram um nível maior de maturidade. A baixa autoestima e a necessidade de aprovação dos outros fazem os mais jovens se vestirem exatamente como todos os outros se vestem. Pertencer ao grupo é tão importante que todos vestem a mesma fantasia para que possam se identificar com facilidade.

Consumir compulsivamente está mais ligado com a fuga de uma dor do que com a obtenção de um prazer. Bolsas, relógios, carros, roupas, são apenas consolos. É como a chupeta que você coloca na boca da criança que chora. Você não nasceu para passar a vida inteira trabalhando enlouquecidamente, jogando todo o seu tempo, energia e dinheiro pela janela para se consolar por não ter a vida que gostaria.

Seis reflexões que você deve fazer para reduzir o vício das compras:

1) Ter consciência:

Você precisa parar para refletir sobre cada compra. Não existe nenhum problema em comprar alguma coisa para preencher um vazio, para sair do tédio ou por diversão. Errado é fazer isso sem ter consciência que está fazendo. Errado é fazer procurando desculpas e motivos nobres. Existem coisas que eu compro por diversão e para sair do tédio, mas faço isso sem usar nenhuma desculpa. Faço com plena consciência. Isso é o que faz a diferença. Será mais difícil mergulhar no consumo obsessivo de qualquer coisa se você assumir o que está fazendo pelos motivos que está fazendo.

2) Compre com a cabeça, não com o coração:

Os vendedores e as empresas sabem que é mais fácil vender quando você estimula a decisão emocional. No meu livro sobre imóveis eu falo sobre isso. As questões técnicas, jurídicas, econômicas ou qualquer informação que leve você a refletir racionalmente sobre a compra, são deixadas em segundo plano por quem está vendendo o imóvel. Todo argumento de venda, não importa o produto, tende a ser emocional. É a linda varanda gourmet, a piscina, churrasqueira, os momentos agradáveis e felizes nas áreas de lazer. As questões financeiras, jurídicas e técnicas do negócio são chatas. O problema é que são essas coisas chatas que fazem a diferença entre uma vida cheia de problemas financeiros e uma vida de real satisfação.

3) Poupe como se pagasse prestações:

Se você já tem o costume de pagar prestações, carnês, mensalidades do cartão de crédito, crie o hábito de poupar como um comprometimento. Você, no presente, tem uma dívida com você mesmo no futuro. Pague essa dívida com prioridade. Pague você mesmo primeiro e depois se vire para viver com o que sobrar.

4) Tenha vergonha dos seus vícios:

Evite tirar foto dos seus vícios de consumo para publicar no seu Facebook, Instagram e Whatsapp. Tenho certeza que você é bem mais do que as coisas que consome. A pior coisa que você está fazendo quando propaga seus vícios é estimular os outros a seguirem esse caminho. Pode ser que o seu amigo esteja tentando se afastar do alcoolismo ou do consumo exagerado de doces por recomendação médica e você está ali publicando fotos de bebidas, doces e outros vícios como se estivesse arrasando. Você só está fazendo aquilo que as crianças pequenas fazem quando ganham um brinquedo novo e encontram seus amiguinhos. Um dia você precisa crescer. Tente observar até que ponto ostentar os seus vícios tem alguma importância ou valor na vida dos outros. O valor disso na sua vida, certamente os outros já entenderam.

5) Você não é isso:

Você não é os seus vícios. Você precisa desvincular o vício do que você realmente é. Você apenas está nessa condição temporariamente. Continuar nessa condição é uma escolha.

6) Você merece ser livre:

Você não merece, como prêmio, aquilo que te limita e aprisiona. Você merece mais liberdade e autonomia sobre suas decisões. Prêmio merecedor é ser menos dependente das coisas que o dinheiro pode comprar. Antes de tomar a decisão de manter os vícios de consumo que você coleciona adote a frase: “Você é escravo daquilo que não pode abrir mão.”

Imagine que a sua vida é como um balão e as cordas que prendem ele no chão são como os vícios e maus hábitos que você está cultivando. Sem cortar essas cordas será impossível subir. Vou deixar esse link aqui onde você pode baixar a foto abaixo em tamanho maior. Imprima, coloque em um quadro e pendure na parede.

Como sair do vício das compras

O dinheiro não foi feito para escravizar ninguém. Entender como ele funciona permite que você domine o dinheiro e as coisas que ele pode comprar. Não entender como ele funciona torna você vítima da ignorância e escravo dos seus vícios.

Sobre o autor: Leandro Ávila: Sou educador financeiro e quero compartilhar com você um pouco do que aprendo todos os dias através das minhas leituras e estudos. Sou autor de livros sobre educação financeira e livros sobre investimentos em imóveis.

Disponível em Transcedencia Financeira: https://goo.gl/1BL19c

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