Inteligência Artificial eliminará milhões de empregos...

Inteligência Artificial eliminará milhões de empregos… E criará milhões de novos. Em artigo para o website do Fórum Econômico Mundial, Davos, Suíça, Joe Kaeser, President and Chief Executive Officer, Siemens AG, “The world is changing. Here’s how companies must adapt”, em 25/1/2018, comenta que a Quarta Revolução
Industrial, embora ainda no começo, é a maior transformação que a civilização
humana já conheceu. As outras revoluções industriais não tiveram esse poder de
mudanças.
Inteligência Artificial eliminará milhões de empregos...O Presidente e CEO da Siemens, ressalta que a Quarta Revolução Industrial está transformando praticamente todas as atividades humanas; a maneira como fazemos as coisas, como usamos os recursos do nosso planeta, como nos comunicamos e interagimos com os outros seres humanos, como aprendemos, como trabalhamos. O jeito de governar; e como fazemos negócios. Seu escopo, velocidade e alcance são sem precedentes.

E nos leva as seguintes reflexões: Há 10 anos, não havia nada como um smartphone. Hoje, ninguém sai de casa sem ele. Há algumas décadas, os computadores estavam conectados à Internet em alguns sites. Hoje, praticamente todos os seres humanos podem se conectar a uma rede que abrange o mundo inteiro e fornece acesso ao maior repositório de informações e conhecimento já criado pela humanidade.

Enorme poder implica grande risco. Sim, as apostas são altas. A digitalização vai beneficiar os quase 10 bilhões de seres humanos que habitam nosso planeta no ano de 2050. Se errar, as sociedades serão divididas em vencedoras e perdedoras, agitação social e a anarquia vai surgir, a ligação que deixarão de acreditar que os governos são capazes de cumprir seu propósito de reforçar o Estado de direito e fornecer segurança.

Por isso a Quarta Revolução Industrial não é apenas sobre tecnologia ou negócios; é sobre a sociedade. É fascinante quando um computador bate o melhor jogador humano, quando bots escrevem textos, e máquinas “falam” entre si. No entanto, são os humanos que definem os algoritmos que controlam máquinas e não o contrário. E não se engane sobre isso: vamos escrever agora, o código que vai moldar o nosso futuro coletivo.

Indústria 4.0

Isso está acontecendo na indústria nesse momento, agora, diz o Presidente Kaeser. O que se chama de Indústria 4.0, é a possibilidade de se criar um “gêmeo-digital”, que mostre do laboratório a fábrica, projetos, simulações e testes de produtos sofisticados no domínio virtual, antes de produção de um protótipo (físico). E claro, antes de se programar uma linha de produção e iniciar-se a produção real.

Ainda, softwares ajudam a otimizar cada um dos processos e cada tarefa, se executadas por humanos ou máquinas. Quando tudo funciona no mundo virtual, os resultados são transferidos para o mundo físico (as máquinas), e assim se inicia um novo ciclo de volta ao mundo virtual.

“Cyber-physical systems”

A integração dos mundos virtual e físico é chamada “cyber-physical systems” é o grande avanço que pode ser visto hoje. Sem diminuir todas as conquistas da indústria até agora, como nas revoluções industriais anteriores, é previsto que esta Quarta Revolução Industrial eliminará milhões de empregos e criará milhões de outros empregos.

Mas, uma questão se apresenta: o que pode ser feito para que cidadãos possam ser beneficiários desta Quarta Revolução Industrial?

Para o autor, sua primeira sugestão se alinha com os aprendizados do passado. Em meados do século 20, líderes do pensamento, como o economista Alfred Müller Armack, desenvolveram a chamada economia de mercado social, o modelo de sucesso da Alemanha até hoje.

Alfred Armack, previu uma sociedade aberta que visa “unir o princípio do mercado livre com aquela da distribuição justa de prosperidade”. Essa visão é mais relevante hoje do que nunca porque ele aponta o caminho para uma forma inclusiva do capitalismo e a um modelo sustentável econômico e bem-estar social. E o Presidente e CEO da Siemens, Joe Kaeser, acredita que o próximo passo no caminho para inclusão deve elevar os padrões de forma significativa para os negócios tanto quanto as preocupações com a responsabilidade social e a sustentabilidade.

Segundo o Presidente e CEO da Siemens, essa teoria é contrária à do economista americano, Milton Friedman, que pensa que o “negócio do negócio, é o negócio”.

Mas, hoje, os investidores, clientes, acionistas, fornecedores, funcionários, líderes políticos, enfim, a sociedade como um todo, esperam que as empresas assumam uma maior responsabilidade social, como por exemplo: proteção ao clima, lutar por justiça social, ajudar refugiados, treinar e educar os trabalhadores.

Na Siemens, afirma o Presidente e CEO, “o negócio do negócio é criar valor para a sociedade”. E chama isso de “negócios à sociedade”.

O segundo aspecto para responder à pergunta (o que pode ser feito paraque cidadãos possam ser beneficiários desta Quarta Revolução Industrial?), é a
necessária revolução em treinamento e educação. Nesse aspecto, governos e empresas devem unir forças para promover aos trabalhadores, as habilidades e qualificações necessárias para participação destes, na economia digital. Um exemplo, é a capacidade de explorar as oportunidades criadas pela Inteligência Artificial – IA. Pois, se a mão-de-obra, não acompanhar os avanços neste conhecimento ao longo de suas vidas, como esses novos empregos serão preenchidos?

O terceiro aspecto para responder à pergunta (o que pode ser feito para
que cidadãos possam ser beneficiários desta Quarta Revolução Industrial?), é o incentivo a inovação e a capacidade de se adaptar. As tecnologias digitais permitem novos modelos de negócios e estes permitem novos modelos sociais. Um deles é a economia do compartilhamento. Essa nova forma de negócios, desafia um dos preceitos fundamentais da ordem econômica, que é o papel da propriedade. Se é bom ou ruim, é essa a realidade.

O quarto aspecto para responder à pergunta (o que pode ser feito para
que cidadãos possam ser beneficiários desta Quarta Revolução Industrial?), é a coragem dos líderes abordarem as questões difíceis. Exemplo: como garantir o futuro das tarefas que serão eliminadas pelas máquinas? Uma renda garantida? Impostos sobre softwares e robôs? Quais as regras e regulamentos a partir desta única questão? Quais as liberdades e direitos individuais que devem ser preservados na era digital?

Perguntas difíceis sem dúvida. Mas, para começar as respostas pode-se voltar ao livro “Retrotopia” de Zygmunt Bauman, através de um trecho em sua introdução:

Eis o é o que Walter Benjamin tinha a dizer em suas Teses da Filosofia da História, escritas no início dos anos 40, sobre a mensagem transmitida por Angelus Novus (renomeado Anjo da História), uma pintura de 1920 de Paul Klee:

“A face do Anjo da História está voltada para o passado. Onde nós percebíamos uma cadeia de eventos, ele vê uma catástrofe única que continua empilhando destroços e jogando-os diante dos seus pés. O anjo gostaria de ficar, acordar os mortos, e tornar inteiro o que foi esmagado. Mas uma tempestade está soprando do paraíso; o anjo ficou preso em suas asas com tal violência que não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impulsiona irresistivelmente em direção ao futuro, para o qual ele dá as costas, enquanto a pilha de escombros cresce, diante dele, rumo ao céu. A tempestade é o que chamamos progresso.”

Fosse alguém olhar de perto a pintura de Klee, um século, quase, depois que Benjamin produziu seu insight insondável e incomparavelmente profundo, poderia mais uma vez capturar o Anjo da História em pleno voo. O que mais pode impactar, a ele ou a ela, é o anjo mudando de direção – o Anjo da História apanhado no momento de uma volta de180º. Sua face está girando do passado para o futuro, suas asas sendo puxadas para trás pela tempestade, golpeando esse tempo do futuro imaginado, precipitado e antecipadamente temido em direção ao paraíso do passado (ele próprio imaginado retrospectivamente, depois de ter sido perdido e reduzido a ruínas). E as asas estão agora sendo pressionadas, como eram pressionadas antes, com violência igualmente poderosa, de modo que agora, como então, “o anjo não pode mais fechá-las.

Passado e futuro, pode-se concluir, estão no processo de trocar seus respectivos vícios e virtudes, relacionados – como sugeriu Benjamin – por Klee há cem anos. Agora, o futuro é que está marcado no lado do débito, denunciado inicialmente por sua não-confiabilidade e por ser incontrolável, com mais vícios que virtudes; enquanto a volta ao passado, com mais virtudes que vícios, é marcada na coluna do crédito – como um lugar ainda de livre escolha e do investimento ainda não-desacreditado de esperança”.

E para concluir, o Presidente e CEO da Siemens, Joe Kaeser, ressalta: “olhar
para a frente, mostrar as oportunidades e riscos da Quarta Revolução Industrial, arregaçar as mangas e criar respostas que possam funcionar para a geração atual e para as futuras gerações”. 

Por Alfredo Passos. Portal Administradores:

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