O Robert Kiyosaki, autor de um dos livros de educação financeira mais vendidos no mundo, declara no final do capítulo 7 do livro Pai Rico Pai Pobre o que ele acredita ser a principal lei do dinheiro: “Dai e receberei”.

Segundo ele, o maior erro das pessoas é inverter a ordem dessa lei. Essa inversão prejudica todas as áreas da vida e isso inclui a parte profissional e financeira.

Algumas pessoas praticam o “Tomar” e acabam na cadeia. Outras praticam o “Receber tirando vantagem ao dar o mínimo possível”. Temos aquelas que praticam o “Receber primeiro para só depois dar” e raras são as pessoas que compreendem o poder de “Dar para receber”.

O pai pobre de Robert Kiyosaki (seu pai biológico), acreditava que primeiro precisamos receber para que depois possamos dar.

O seu pai rico, que era pai do seu melhor amigo, acreditava que primeiro precisamos dar para depois receber.

Não sei de onde ele tirou que essa ideia é a principal lei do dinheiro, mas ela faz todo sentido no contexto financeiro. Existe uma explicação lógica que irei apresentar nesse artigo, mas antes é interessante observar a ideia sobre o “dar para receber” que está presente nas religiões e na ciência.

O cristianismo tem uma grande influência no modo de pensar da nossa sociedade e especificamente no livro chamado Atos dos Apóstolos existe um versículo que diz:

Em tudo o que fiz, mostrei-lhes que mediante trabalho árduo devemos ajudar os fracos, lembrando as palavras do próprio Senhor, que disse: ‘Há maior felicidade em dar do que em receber’ .

Também existe uma oração chamada “Oração da Paz” popularmente atribuída a São Francisco de Assis que diz: “Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado…”.

O falecido psiquiatra Flávio Gikovate, uma vez comentou nas redes sociais sobre essa ideia de dar para receber. Como médico psiquiatra ele certamente teve contato com milhares de histórias reais de pessoas que vivenciaram essa “felicidade de dar”. Como você pode ver logo abaixo, ele acreditava que o “receber” estava relacionado com uma alegria no ato de dar, ou seja, o próprio ato já seria gratificante para o cérebro. No mundo dos negócios e dos investimentos “o receber” não se limita a receber essa satisfação interna do ato. O ato de dar gera resultados materiais.

Existe uma professora de psicologia da Universidade de British Columbia, no Canadá, que se chama Elizabeth Dunn. Ela estuda a ligação entre felicidade e dinheiro.

Ela fez estudos em diversos países onde dava uma pequena quantidade de dinheiro aos participantes. Ela pedia para que a metade desses participantes gastasse o dinheiro consigo, enquanto a outra metade gastasse de outra forma qualquer.

Aqueles que compraram algo para outra pessoa tinham um sentimento de bem-estar mais duradouro, comparado com aqueles que gastaram o dinheiro consigo mesmos.

A pesquisadora disse em uma de suas palestras: “As pessoas se sentiram significativamente mais felizes quando olharam para trás e refletiram sobre o momento em que gastaram dinheiro com os outros, ao invés delas mesmas”. Esses estudos científicos apontam que a ideia de que “Há maior felicidade em dar do que em receber” faz sentido.

Outro autor famoso da educação financeira chamado T. Harv Eker, no livro “Os Segredos da Mente Milionária“,  fala sobre esse assunto de uma forma bem impactante do ponto de vista de quem recebe e de quem dá. Além da satisfação que podemos sentir (que motiva nosso trabalho), existem motivos concretos para aprender a receber e dar. Primeiro ele diz que existem pessoas que são prejudicadas na vida financeira e profissional por não aceitarem receber.

A maioria de nós provavelmente concorda que o ato de dar nos proporciona um sentimento maravilhoso e gratificante. Por outro lado, como fica o nosso estado de espírito quando queremos dar e a outra pessoa não quer receber? Quase todos nós nos sentimos muito mal com isso. Saiba, portanto, o seguinte: aquele que não se dispõe a receber “rouba” (a alegria de) quem quer lhe dar algo – T. Harv Eker.

Essa ideia tem uma forte ligação com o problema enfrentado por muitos profissionais que sentem uma enorme dificuldade de cobrar de forma justa pelos serviços que prestam. Você provavelmente conhece pessoa que prestam ótimos serviços, mas que sentem grande dificuldade no momento de receber o valor justo pelo trabalho que fazem.

Isso tem uma relação com a dificuldade que muitos possuem de se sentirem pessoas merecedoras. O impacto desse comportamento na vida financeira é inevitável. Muitos profissionais talentosos sofrem com esse problema e seus resultados profissionais e financeiros ficam comprometidos.

Se você não aceita receber não terá sucesso em dar. Se você não aceita dar não terá sucesso ao querer receber. T. Harv Eker conta que uma vez estava participando de um seminário e um homem falou com ele aos prantos:

– Não consigo imaginar como poderei me sentir bem tendo um monte de dinheiro enquanto outras pessoas possuem tão pouco.

T. Harv Eker fez uma pergunta dura:

– Que bem o senhor pode fazer aos necessitados se também é um deles? A quem o senhor está ajudando se está sem dinheiro? Por acaso o senhor não é uma boca a mais para alimentar? Não seria mais eficaz se enriquecesse e fosse capaz de ajudar as pessoas a partir de uma posição de força em vez de uma posição de fraqueza?

Nesse momento o homem parou de chorar imediatamente e respondeu:

– Agora entendo. Como posso ter acreditado numa bobagem tão grande? Harv, acho que chegou a hora de ficar rico e, no caminho, ajudar os outros.

Temos o costume de relacionar doação com dinheiro. A grande verdade é que o dinheiro é a forma mais barata de doação. O problema é que a doação em forma de dinheiro é a que menos ajuda e menos resolve os problemas de quem precisa, mas se você não tiver recursos financeiros a sua capacidade de ajudar de outras formas fica minimizada.

Devemos entender que nem sempre o que as pessoas pedem para você é o que elas realmente precisam. Dificilmente as pessoas sabem o que elas precisam. Exemplo: alguém que enfrenta sérios problemas financeiros nem sempre precisa de dinheiro. A falta de dinheiro costuma ser apenas um sintoma e não o problema. Leia sobre isso aqui. Muitas vezes as pessoas precisam de informações, orientação ou motivação para tomar decisões que possam resolver seus problemas de forma definitiva.

Você pode praticar essa ideia no seu trabalho todos os dias e ganhar muito com isso. Se você é um profissional liberal e costuma atender clientes, é possível entregar um trabalho com qualidade acima da média e encarar esse adicional como uma doação. Não tenha dúvida que o seu cliente vai reconhecer esse valor adicional que você entregou e que o seu concorrente não entrega. Muitas vezes são pequenas coisas que fazem a diferença. Além da alegria de entregar mais, você sofrerá uma consequência positiva que será a gratidão do seu cliente e um enorme desejo de retribuir de alguma forma esse adicional recebido.

Se você trabalha em uma empresa pode ser que seus colegas entreguem um trabalho mediano. Entregar um resultado acima da média é uma maneira de doação. Existem atividades onde as pessoas entregam tão pouco, com tanta má vontade que para se destacar basta fazer o básico esperado. Mais cedo ou mais tarde, essa diferença será percebida pelos clientes da empresa, pelos seus superiores ou até pelos concorrentes da empresa onde você trabalha. Novas oportunidades podem aparecer e impactar sua vida profissional e financeira quando você tira o foco do “receber” e passa a focar o “dar”.

Muitas pessoas já me perguntaram como eu consigo responder tantos comentários nos artigos do Transcendência Financeira, Clube dos Poupadores e dentro da área Premium do Clube. Outros educadores financeiros que conheço sabem o trabalho que dá escrever os artigos semanais e sabem o que significa responder centenas de comentários por semana. Eles costumam me perguntar o que eu ganho com tudo isso, se realmente compensa todo esse esforço.

Essas pessoas ainda não entendem o poder dessa ideia do “é dando que se recebe”. Primeiro eu me sinto muito feliz contribuindo e isso é motivante. Depois as pessoas que se sentem ajudadas ao receberem meus artigos semanais ou a resposta de um comentário, são as mesmas que posteriormente me fornecem a ajuda que preciso (adquirindo meus livros) para manter esses projetos funcionando.

Observe que isso acaba funcionando como uma estratégia de vendas e de marketing muito poderosa. A venda acontece quando você tira o foco da venda, tira o foco do “receber” e passa a colocar o seu foco no “dar”. Na minha opinião, essa seria a estratégia de marketing que todas as empresas e profissionais liberais deveriam adotar.

Talvez você já tenha ouvido falar na ideia de que primeiro devemos fazer o que é certo e todas as outras coisas nos serão dadas por acréscimo. Essa ideia segue o mesmo princípio. Existe uma relação de causa e feito presente na natureza.

Veja logo abaixo o diálogo entre esses dois leitores do Clube dos Poupadores na área de comentários de um dos muitos artigos que ofereço gratuitamente no site.

Observe que o primeiro leitor compara o valor do conteúdo que ele recebe pelo Clube dos Poupadores como o valor de uma mina de ouro (valor incalculável) e lamenta por não ter encontrado esse tipo de informação 20 anos atrás. O segundo leitor lamenta o fim do casamento por anos de negligencia financeira e conclui que não existe nada mais valioso que possa ser recebido do que a libertação da ignorância.

Se você tem um negócio e o seu cliente sente que recebeu mais valor do que o preço que você cobrou, ele tende a querer retribuir de alguma forma. Valor e preço são coisas que as pessoas comparam antes de fazer negócio com você. Valor é o que elas recebem. Preço é o que elas pagam. Quanto maior for o valor, mais o preço se torna insignificante.

Muitas vezes essa retribuição que você receberá do seu cliente será através de agradecimentos e isso funcionará como motivação. A retribuição também ocorre com a venda dos seus produtos e serviços (no meu caso são os livros) e também através das indicações de novos clientes, divulgação do seu negócio, construção de uma imagem positiva que naturalmente vão resultar em mais oportunidades e negócio no futuro.

Quantas empresas você prefere frequentar somente por receber um atendimento ser gentil? Muitas vezes um simples atendimento gentil e atencioso é uma grande doação que você estará fazendo e o cliente compreenderá isso como um valor que torna o preço menos significante.

Assista esse vídeo. É o único vídeo que tenho no meu canal do Youtube. Se você entender o poder da mensagem do vídeo, se entender que você só precisa aprender a enxergar o que existe de melhor nas pessoas, e não o que existe de pior, fazendo a caridade de mostrar isso para ela, você não terá mais problemas de falta de oportunidades na vida. Tente perceber que dar nem sempre tem relação com dar coisas ou dar dinheiro. Existem coisas mais valiosas, que o dinheiro não compra, que você pode oferecer.

Essa ideia do é dando que se recebe faz todo sentido nas relações pessoais e também comerciais. As relações comerciais ou de negócios também são relações entre pessoas. Devemos compreender que essa ideia representam uma manifestação daquilo que a ciência chama de “Casualidade“. As casualidades fazem parte da natureza e estão em todas as partes.

Causalidade é a relação entre um evento A (a causa) e um segundo evento B (o efeito), provido que o segundo evento seja uma consequência do primeiro.

Mostrei no artigo anterior (leia aqui) que é muito comum a confusão que fazemos entre os sintomas (efeitos) de um problema e as causas do problema. Reflita se essa questão do “é dando que se recebe” não poderia ser a origem dos resultados limitados que você está colhendo na sua vida profissional que resultam em resultados limitados na sua vida financeira.

Acredito que se você procurar formas de adotar essa ideia na sua vida, poderá aumentar as oportunidades profissionais e por consequências seus resultados financeiros. Devemos lembrar dos ensinamentos do Robert Kiyosaki que diz no seu principal livro e nos eventos que participa: “Para sermos verdadeiramente ricos, devemos ser capazes tanto de dar quanto de receber. Em casos de dificuldades financeiras, frequentemente, o que falta é dar e receber”.

Sobre o autor: Leandro Ávila: Sou educador financeiro e quero compartilhar com você um pouco do que aprendo todos os dias através das minhas leituras e estudos. Sou autor de livros sobre educação financeira e livros sobre investimentos em imóveis.

Disponível em Transcedencia Financeira: https://goo.gl/yFYgpz

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